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Coringa

POCOCURANTE & CÂNDIDO

- Marcelo Pereira Rodrigues -

Voltaire

Vivemos no melhor dos mundos. É preciso ter esperança. Nem tudo está perdido. É preciso olhar para a vida de uma forma mais otimista. E tome blá blá blá e mais blá blá blá. Apresento-lhes Cândido.
O mundo é uma lástima! É preciso ser realista. Tudo está uma droga! A tendência é piorar mais e mais! Apresento-lhes Pococurante.
Cândido e Pococurante são personagens da novela romanceada de Voltaire (1694-1778), intitulada Cândido. O nome é uma sátira às pessoas ingênuas que esperam um mundo melhor ou que acreditam piamente na humanidade. Pococurante é bem mais cético, mais realista e com certo ar enfadonho, enxerga a mais pura clarividência.
Por que escrevo isso como preâmbulo ao meu texto? É que no lançamento oficial do meu mais novo livro, na Leitura do BH Shopping, travei debate com uma jovem que me criticou pela minha desesperança e aspereza em relação aos jovens. Segundo ela, os amigos do seu círculo de amizades eram todos obcecados por leitura, escreviam bem na internet e só faltou afirmar que todos os seis rezavam antes de dormir às dez da noite! Esse otimismo ingênuo da senhorita (esqueci o nome da garota), mas bem, vamos seguir. A ouvi pacientemente. MPR tem uma paciência bovina!...




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Críticas

O lançamento de "Acústico MPR: os piores sucessos e os melhores fracassos de Marcelo Pereira Rodrigues"

Como não sou muito "fresco", achei belo o lançamento do livro "Acústico MPR: os piores sucessos e os melhores fracassos de Marcelo Pereira Rodrigues", junto com o "Cadê a Aninha?" de Luiz Gonzaga Milagres, neste 24 de abril de 2012 na livraria Leitura do BH Shopping. Depois de breves palavras do Marcelo (o Luiz não falou), uma seção de perguntas e respostas. Um dos presentes perguntou sobre a experiência de lançar livros em um país de poucos leitores (uma das perguntas que eu faria). Marcelo responde que, na verdade, existe um bom público leitor, embora nem sempre comprador. Ele contou que certa vez recebeu um e-mail de Brusque (SC) de uma moça até então desconhecida interessada em comprar um dos seus livros.
MPR comentou também, sem querer dar uma visão negativista, que eventos literários como a Bienal do Livro têm a sua "panelinha". E ele mesmo certa vez foi convidado a contribuir com uma obra e o livro foi retalhado a ponto de ficar irreconhecível. "Eles não me queriam, queriam o meu nome".
Sobre qual é o seu público-alvo, Marcelo responde que é "a minha leitora de Brusque".
Devo ressaltar que, ao final, uma garota se disse decepcionada com o nosso prezado escritor. Disse, não vejo com que base, que ele estava generalizando em dizer que os jovens não leem, que não podia dizer que "o mundo está perdido" e citou que os jovens estão lendo mais (citando meia dúzia de exemplos da família e algum meio obviamente atípico) e que os escritores precisavam "se reinventar". MPR respondeu bem, dizendo ao final que ela não deveria "tomar a exceção pelo todo". E eu perdi a oportunidade de ser mau.
Um pouco do livro, para quem não conheça MPR:
"Os Simpsons têm razão": comentando o episódio de "Os Simpsons" que caricatura o Brasil. O texto é de 2002. Pode ser "recondicionado" para 2014.
"Estou no TCM": para quem não conhece, o TCM é um canal por assinatura com alguns programas "antigos" (começo da década de 90 pra trás). O texto parece saudosismo de velho, mas quem tem 35 ou 40 anos, como eu ou o Marcelo, sabe como a própria televisão aberta já foi "melhorzinha".
"Feriado": "o feriado parece uma compensação para salários baixos e falta de perspectiva em crescer na vida". Comentário meu, antes que venham apedrejar o amigo MPR: vejamos no Facebook aquelas montagens que-bom-hoje-é-sexta toda sexta e aquelas oh-não-hoje-é-segunda toda segunda.
Mas para mim o grande ponto do evento, e eu não fazia muito mais expectativas que isso, foi a oportunidade em si de conhecer ao vivo Marcelo Pereira Rodrigues e ele a mim. O BH Shopping inclusive é no meu caminho de casa para o trabalho.
Talvez no Acústico MPR tenha faltado um texto: "Falando a verdade", do Conhece-te a ti mesmo nº 71, de janeiro de 2007. Foi o texto que encontrei afixado no bar do DCE da UFV em fevereiro. Tirei o texto de onde estava apenas para xerocá-lo e publicar no meu blogue Contra os Reis e as Religiões, não sem antes pedir permissão do autor. Então nos conhecemos pela internet, fui convidado para ser colunista, fiquei por mais de um ano e, cinco anos depois, nos conhecemos pessoalmente. Eu admiro o MPR como alguém com conteúdo, que conseguiu ter um bocado de milhas rodadas (e algumas "aviãozadas") sem ser um deslumbrado pequeno-burguês, com coragem de dizer verdades sem preocupação com um "politicamente correto" e o editor do primeiro impresso cultural que eu conheci que não é de boiola. Isso é quase alienígena hoje em dia, quando livros de sucesso são piriguetagens estilo série Crepúsculo, páginas de grandes veículos como Veja e Folha de São Paulo têm visitantes com comentários mal escritos e mesmo alguns jornais, antes símbolos de quem lê, são editados para analfabetos funcionais sendo quase todo o conteúdo (como também mencionado pelo Marcelo neste lançamento) tragédias, esportes e uma beldade na capa.
Parabéns, Marcelo Pereira Rodrigues, e sucesso. Como você mesmo disse, você vai ser imortal pela sua obra.
Walter Nunes Braz Júnior
Belo Horizonte / Nova Lima, 26 de abril de 2012.


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Crítica ao texto "Miséria", de Marcelo Pereira Rodrigues, nas páginas impressas da edição nº 134/abril/2012

Cara, primeiramente, excelente texto, muito bem pontuado.
Também vejo todos os problemas do Brasil e me pergunto pelo lado social, mas quando olho o resto do mundo, vejo que não estamos lá tão mal assim.
Se compararmos os dados sócio-econômicos da época de sua infância e de hoje, vamos ter que concordar que o Brasil de fato foi o país do futuro, pois houve melhorias visíveis em todas as áreas. Porém, o Brasil não foi do futuro sozinho. Na verdade, quase o mundo inteiro foi. Veja apresentações do cientista Hans Rosling sobre esse fato: http://www.youtube.com/watch?v=hVimVzgtD6w.
Hoje temos menos desemprego, menos analfabetismo, menos doenças, etc. Mas estamos no ponto ideal? Claro que não. E quem no mundo está? Seguramente iremos escutar reclamações de americanos, franceses, holandeses, alemães, etc.
Pode-se argumentar que a educação é uma porcaria, que o professor é mal pago (já inclusive conversamos sobre isso antes), mas digo a você sem medo, nossa situação é de longe mais cômoda que a de muitos mundo afora. Em junho passado fui apresentar um trabalho em uma conferência nos EUA. Tivemos uma happy hour e dividi a mesa com um jordaniano, um holandês e um sul-coreano. Quando eu disse a eles que faço mestrado, não pago absolutamente nada e mais, ganho por isso, eles se recusaram a acreditar, principalmente quando eu disse que o valor da minha bolsa (que diga-se de passagem, pode ser dinheiro gasto completamente em vão caso eu desista da defesa no último momento) era o dobro do que muitos provedores de famílias grandes recebem. Por aqui, só não estuda quem definitivamente não quiser. "Mas e a qualidade?" alguém pode perguntar. Bem, eu poderia dizer que Harvard também forma maus profissionais, logo, o problema não está restrito à nossa terrinha.
Vejo muita gente questionando as bolsas que o governo distribui e me lembro imediatamente da igreja católica: critica veementemente o aborto sem ajudar creches, estimular adoções, proibindo o uso de preservativos, etc. Ou seja, simplesmente criticam porque querem defender uma ideologia sem qualquer tipo de respaldo razoável. Todos criticam a pobreza, as mazelas, as dificuldades enfrentadas pelos brasileiros (você mesmo apontou a situação das favelas), mas quando algo é feito para tentar intervir, essas mesmas pessoas são as primeiras a criticar. Minha pergunta direta é: quais são exatamente (com dados, inclusive apontando os recursos disponibilizados pela união) as razões para não distribuir as bolsas? Sem apontar de forma precisa as razões, quaisquer críticas ao governo tornam-se um "significante vazio"(termo criado pelo filósofo slovênio Slavoj Zizek para nomear signos que por causa da repetição exaustiva, perdem completamente seu valor). Para mim os auxílios são uma ótima maneira de atacar a pobreza (sim, de forma tímida, mas ainda sim é uma atitude) e estimular a economia de lugares mais pobres. Aí ouço que existem pessoas que não precisam do auxílio mas que o recebem, e que a fiscalização é uma merda, blá blá blá. Ponto 1: se melhorou 1%, já melhorou. Ponto 2: o que na vida é 100% efetivo? Se alguém apontar esse fato terá encontrado o santo graal da probabilidade.
Dizem-me então que as pessoas aproveitam o auxílio para tornarem-se vagabundas. Com sinceridade, um indivíduo que busca um cargo público procurando "estabilidade" merece um adjetivo muito diferente? E um indivíduo que consegue um trabalho monótono mas aceita a posição afirmando ser difícil conseguir coisa melhor? Finalmente, TODOS os que recebem os auxílios tornam-se vagabundos? Não creio. Na verdade conheço gente que recebe e faz bom proveito.
No meu trabalho cotidiano, tenho o tempo todo que pesar diferentes soluções. Porém, como não é uma área hermenêutica, não vence o melhor discurso. Tenho colegas que mal sabem falar mas que definitivamente não podem ser vencidos na disputa por soluções a serem adotadas. E acredito que por causa desse tipo de ambiente eu tenha ficado viciado em "porques". Se alguém começa com qualquer discurso sem me mostrar dados eu automaticamente já fico na defensiva. E ficando viciado dessa forma, eu só sei concluir olhando para dados, estatísticas, fatos, etc. E baseado nessas coisas, eu concluo que o planeta Terra é, em mais ou menos 80% (Brasil incluído e salvo países em guerra civil e/ou regimes ditatoriais), o planeta do futuro. Tudo, em todos os sentidos, tem melhorado de forma dramática. Veja esta apresentação do empresário e cientista Peter Diamandis trazendo diversos dados que permitem esta constatação: http://www.youtube.com/watch?v=BltRufe5kkI.
De maneira nenhuma eu defendo políticos. Em um texto anterior já coloquei meu total desprezo pela "profissão", não pelas pessoas em si, mas pela natureza do trabalho. Na minha visão, não existem problemas políticos. Todo e qualquer problema tem natureza técnica e pode ser abordado com métodos científicos e/ou no mínimo racionais, sem a necessidade de "alianças com a base", "trocas de cargos", etc. Porém, também sei que mudar padrões não é coisa fácil, muito menos criar soluções definitivas, por isso não concordo que o Brasil esteja estagnado ou regredindo. Tente mudar radicalmente seu comportamento da noite para o dia, ou resolver problemas difíceis da sua própria vida de maneira definitiva. Não há como. Muitas coisas no mundo têm natureza exponencial, mas isso não significa que sejam instantâneas. Posto isso, nem o Brasil, nem a França, nem a Holanda, nem lugar algum vai resolver problemas sociais complexos (veja a quantidade de variáveis envolvidas) de maneira definitiva e rápida. E acreditar no contrário é, na minha opinião, sintoma de ingenuidade e desconhecimento do cenário inteiro. (O primeiro texto que escrevi para o jornal foi uma resenha do fantástico Terra em Transe do Glauber Rocha. Na obra, em um dado momento é concedida a palavra ao povo, que, após um longo silêncio, começa a reclamar e chorar. O povo não quer saber das soluções, só dos problemas) Além disso, acredito piamente no individualismo. Temos pessoas muito bem educadas que se tornaram grandes problemas para a sociedade e vice-versa. Com isso quero dizer que não ter bons professores ou boas escolas não é motivo para que não procuremos evoluir por nós mesmos. Quem fez toda a diferença em todos os momentos marcantes da história da humanidade foram indivíduos, e não governos ou "coletividades". Parafraseando Guerra nas Estrelas, "a força está com o indivíduo". E se uma mãe que tem um filho problemático já tem dificuldades terríveis para educá-lo, imagine um governo inteiro tentando educar seu povo!
Já tendo tomado seu tempo em excesso, te parabenizo de novo pela escolha do tema e tomo a liberdade de requisitar a tréplica.

Felipe Martins.


 


Reflexão “A arte da leitura consiste nisso: conservar o essencial, esquecer o dispensável”.

Adolf Hitler, político alemão (1889-1945).




 

 

 


 

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Paul Nizan

Pensamentos

“Felizmente não tenho filhos: não me vejo envelhecer. Mas todos os dias sinto-me anular. A única esperança seria recomeçar”.
Paul Nizan, escritor francês (1905-1940).

“Como explicar essa nossa capacidade de conviver tão insensivelmente com pessoas criadas à imagem e semelhança de Deus e, no entanto, excluídas, não apenas da vida social, mas também de um teto ou de uma terra onde possa se abrigar? Condenado às ruas, esses seres humanos se misturam com sucatas, insetos e lixo, degradados em sua dignidade. Muitos não são apenas sem-teto. Chegam ao extremo de ser sem-nome”.
Frei Betto, frade dominicano e escritor, no livro A Mosca Azul.

“Algumas mulheres usam a altivez para esconder a burrice”.
Stanislaw Ponte Preta, frasista brasileiro (1923-1968).

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